Cumprimento a pro-reitora, Sra Maria de Fátima Rodrigues Martins, a coordenadora do curso de Direito Luciana Ramos, cumprimento também, a nossa “Santa Trindade”, professor Bernardo Silva de Seixas, patrono, paraninfo e nome da turma, cumprimento também, os professores homenageados Fernando Bezerra, Luiz Carlos Ribeiro, Leland Barroso, José Falcão e Ricardo Braz, e queridos pais, filhos, familiares e colegas. Boa noite!

Meus estimadíssimos colegas de turma, meu agradecimento sincero por terem me dado esta tão sublime oportunidade. Quanta honra e responsabilidade, espero representá-los a altura da grandeza de cada um de vocês, sintam-se abraçados por mim.

Como já dizia José Saramago, “(…) há coisas que nunca se poderão explicar por palavras”. Isso demonstra o quão desafiador é a minha missão de neste curto espaço de tempo expressar nossos sinceros sentimentos em relação aos cinco anos de faculdade.

Foram 5 longos anos, que pareceram curtos se pensarmos em tudo que vivemos. Fazendo uma reflexão, na verdade são milhares e milhares de coisas a falar, algumas boas outras nem tanto, contudo, escolhi esperar os nossos momentos e observar o resultado final dessa caminhada. E aí, senhoras e senhores, EU chorei, palavras não me serviriam de nada, minha observação constatou apenas um turbilhão de sentimentos.

E assim foi.

Na nossa aula da saudade, eu pensava no discurso, e só uma frase me vinha a cabeça: Nós conseguimos! E ela ia e voltava: “Nós conseguimos, nós conseguimos, e nós conseguimos!”

Posteriormente, vieram os momentos de agradecer, 1º o culto, celebrado de forma tão pessoal e belo pela nossa querida professora Maria Lenir, ela conhecia nossos passos nessa jornada, e foi precisa, nos levando, obviamente, as lágrimas, ali foi o choro de rendição, e eu pensava: Obrigada! Obrigada! Obrigada! Num 2º momento, a nossa missa, e mais uma vez agradecemos a Deus, mas também homenageamos nossos pais, filhos, irmãos, familiares e amigos, ali o choro foi de gratidão.

Agora é chegado o momento mais solene da semana, o dia que nos tornaremos bacharéis em Direito, e pensei: “e agora?” De fato, NÓS CONSEGUIMOS, nós nos entregamos e agradecemos.

Pois bem.

Ab initio, precisamos agradecer a Deus, na sua forma mais sublime, despindo-nos de diferenças religiosas, e alimentando somente o amor, pois, foi a essência desse amor que nos permitiu chegar até aqui, o amor divino por nós transformado em força e inteligência.

Aos nossos pais, filhos, avós e familiares, a luz de nossas vidas, a luz, quando o túnel parecia não ter fim, o aconchego do retorno, o colo do descanso, a paz em meio ao caos, a força que nos trouxe até esse momento. Aqueles pais que nos honram com sua presença, aqueles que já se foram, e aqueles que muito se esforçaram para estar aqui. À vocês, a nossa eterna gratidão, tenham a certeza, que essa vitória também lhes pertencem.

Falando em pais, me veio a cabeça, um amigo querido de todos, o Frank Sávio, que nos “abandonou” na caminhada do curso, mas continua sempre presente em nossas vidas. A ele rendo as homenagens representando os nossos pais, que muitas vezes abrem mãos dos seus próprios sonhos, para que possamos realizar os nossos. E assim, ele o fez, abriu mão do seu sonho de ser advogado para que o seu filho pudesse continuar no mesmo curso, na mesma faculdade, com o mesmo objetivo. Amigo querido, você é nosso exemplo.

Aos nossos queridos Mestres, nossa gratidão e perdão. Na aula da saudade, ouvimos muito sobre o amor à docência, essa ilustríssima profissão, aliás, com todo o respeito aos magistrados, ilustríssimo e nobre deveriam ser adjetivos dirigidos a vós. E como disse um dia o escritor Uruguayo Eduardo Galeano “Livres são os que pensam, não obedecem, ensinar é ensinar a duvidar”, e vocês, estimados docentes nos fizeram aprender a importância da dúvida.

Atualmente, no país em que vivemos, a excelência emerge de suas palavras e cuidado conosco. Esta missão, por vezes, é executada de forma quase voluntária e sem o devido reconhecimento. Então, lhes pedimos perdão, se por ventura, em algum momento, não apareceu aos vossos olhos, a nossa gratidão. Não só por isso, mas, porque também não fomos tão fáceis assim de lidar, era uma “volta e repete”, um “professor, não entendi”, um “mais está aqui escrito”, ser professor neste país é um árduo dever, ser professor de Direito, o torna ainda mais pesado! É preciso ensinar as leis, as normas, as jurisprudências, um tal de “precedentes” e “controle de constitucionalidade”, ou até mesmo explicar o processo das eleições suplementares, e, ao mesmo tempo, ensinar que o Direito não é só isso, que o Direito é o caminho da justiça, e a justiça, senhores, precisa ir muito mais além leis e normas, precisa de humanidade, precisa de reflexão, precisa de entendimento, precisa de AMOR ao próximo, pois como está em coríntios 13, “ainda que eu tenha o dom da profecia e saiba todos os mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei”

Aliás, quantas vezes o Professor Falcão, em suas aulas, nos forçou a refletir sobre a nossa sociedade e a nossa importância e responsabilidade para com ela? E o professor Braz, nas aulas de constitucional? Art. 5º de nossa Carta Magna: TODOS SÃO IGUAIS SEM DISTINÇÃO DE QUALQUER NATUREZA. A máxima lei divina de amar ao próximo se embaralham com as terrenas.

Mas, com a máxima vênia ao demais, queremos agradecer ao nosso Paraninfo, Patrono, e que nos deu a honra de emprestar o seu nome para nossa turma, professor Bernardo da Silva Seixas, que fez papel de professor, amigo, defensor, e, até mesmo, salvador da pátria. Quantas broncas será que levamos? Quantos puxões de orelha? Mas, principalmente, quantos sorrisos e boas lembranças estarão guardadas pra sempre? Não há como quantificar tamanha a gratidão e amizade lhe temos. Você foi exemplo de que não é idade que faz um bom professor, mas a determinação e o estudo, a vontade de fazer algo pelo próximo e, principalmente, a paciência!

Decerto esse momento parecia um sonho impossível, mas nós conseguimos! Chegamos aqui com muita luta, muito suor, muita determinação, e muita união.

Foi preciso nos consolarmos, nos suportarmos e apoiarmos. Foram 5 anos de muitos obstáculos, muito estudo, com direito a noites acordados debruçados sobre o companheiro dessa jornada: o bendito vade mecum! Em nossa defesa, também trocamos muitas baladas por noites de estudos. Quanto aos percalços, jamais poderíamos imaginar que os R$ 100.000.00 do nosso orçamento seriam desviado ilicitamente, porém nesse momento descobrimos que somos capazes de superar quaisquer problemas que sejam, pois somos fortes!

Rousseau disse, em A Nova Heloísa: “Tudo é absurdo, mas nada é chocante, porque todos se acostumam com tudo”. De fato, a sociedade hoje se acostumou com as tragédias, de apropriações indébita de valores públicos ou privados à caso o de Mariana e de Brumadinho, onde juntos levaram muitas vidas, podemos falar que é absurdo e até mesmo chocante, mas o costume é tal, que levantamos e seguimos nossas vidas esperando as próximas tragédias.

Rousseau estava certo quanto a sociedade, mas, senhores, errados quanto a nós, daqui sairão grandes personalidades, por isso, espero que gravem os nossos nomes, porque vocês os ouviram novamente, nas manchetes dos telejornais, como o “Lucas Obano”, ávidos por solução, ávidos por defender a vida. Em 5 anos, aprendemos, conhecemos, discutimos, argumentamos, mas nunca nos irresignamos frente as mazelas que nos atormentam.

Aqui, conclui uma turma que jamais calará sua voz, alguns defendendo fervorosamente o direito das mulheres, outros defendendo ius puniendi estatal, outros abarcarão causas remotas da Revolução Industrial, outros tão somente defenderão o direito de ter direitos. Daqui sairão juízes, advogados, defensores, quem sabe um Procurador de Justiça ou a futura Presidente da OAB, quem sabe? Nós sabemos!

Nós sabemos que nada é em vão, hoje se encerra um ciclo, mas também se inicia um novo, um novo ciclo de busca, conhecimento e aprendizado. Nós vamos errar sim, mas iremos nos levantar ainda mais fortes e ávidos por justiça. Sabemos que as coisas não caem do céu!

Peço vênia, aos professores à mesa, para mencionar um outro professor. Alguns de nós, em um certo cursinho preparatório pra exame da ordem, ouviu um querido professor ao final do curso recitar um texto do Ministro Barroso que diz: “As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer”.

Obrigada a todos! Nós conseguimos, juntos!

Mila Cardoso Sampaio
Oradora da XX Turma de Direito – CIESA

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